Um Dia Você Vira Vítima

julho 21, 2015


Calma, calma que uma hora dessas chega a sua vez. É irônico e até meio maldoso, dizer isso, mas é a verdade dos fatos, uma das certezas da atualidade. O crescente aumento da violência acaba colocando todo mundo na zona de risco, fazendo de cada cidadã de bem, uma possível vítima. Não é preciso pesquisas ou dados estatísticos para chegar a essa conclusão: Um dia você vira vítima. E a coisa só piora quando você se torna uma vítima reincidente. Isso mesmo, pessoas. A violência pode fazer de você uma vítima do tipo bff. Não entendeu? 

Seguinte, a violência anda tão ousada e abusadinha que pode te pegar pra vítima seguidamente, coisa do tipo, um assalto por mês, entende? Meu caso! Mês passado (junho), eu estava feliz da vida, num dos maiores congressos estudantis da América Latina - CONUNE em Goiânia - e começaram a rolar boatos de que a violência estava solta. Que colegas de congresso já haviam sido assaltados e tinha a possibilidade de mais participantes sofrerem a mesma falta de sorte. Mas que de pressa, meu grupo resolveu que não andaríamos desacompanhados, que o ideal seria andarmos no mínimo em dupla. 

Mas quem disse que a maldita da violência se sente intimidade na presença de dois ou de dezenas? Não deu outra, um amigo e eu fomos fazer um lanche, numa praça super movimentada e quando eu digo movimentada, estou dizendo movimentada mesmo, porque tinha festa acontecendo naquele espaço, havia shows rolando nos quatro cantos da praça e mesmo assim, o local era palco da violência. E tinha para todos os gostos, com armas de fogo, com arma branca (facas), com mãos livres... Enfim, meu amigo e eu, tivemos nossa refeição interrompida por dezenas de pessoas correndo do nada e claro, antes de saber o que estava rolando, corremos junto com a multidão. 

Correr primeiro, perguntar depois era nosso lema. Quando paramos de correr, soubemos que não se tratava de um arrastão como parecia ser, o corre, corre foi fruto de uma briga em que um dos dois indivíduos sacou uma arma e como ninguém quer ser  vítima de uma bala perdida ou mesmo endereçada  correr foi a melhor solução. Quando as coisas se acalmaram, voltamos pra praça, pra terminarmos de lanchar e nossa ideia, era comer e ir dormir, nos retirarmos mesmo da exposição a violência. Ficamos mais uns 20 minutos na praça e resolvemos voltar pro nosso alojamento. 

Na volta, o caminho estava repleto de pessoas indo pra praça e voltando da praça, como nós dois. Mas eis que a falta de sorte nos fez vítimas direta da situação. Fomos abordados com quatro indivíduos que tinham a péssima ideia de nos assaltar. Como notei antes o que ia acontecer, tive uma reação que não se pode ter em casos como esse. Eu corri. Fiz algo que não se pode fazer, ao ser assaltado. Defendi-me correndo pro outro lado da avenida, onde havia outras pessoas e num julgamento rápido, pensei que aqueles ordinários, não atentariam contra a minha pessoa, se eu estivesse cercada de outras pessoas. Tive sorte, mas meu amigo não. 

Levaram dele o dinheiro e o celular. E pasmem, quando olhei pro outro lado da rua, onde acontecia o roubo, os quatro ordinários iam calmamente caminhando entre as outras - muitas - pessoas de bem e riam como se nada tivesse acontecido. Meu amigo vinha já no meio do canteiro, atravessando pro lado que eu estava na avenida. Como a cena dos caras rindo, era tão bizarra pra mim, pensei que eu tinha apenas corrido de uma brincadeira de mau gosto. Mas não, aqueles quatro sujeitos tinham mesmo assaltado o meu amigo e só não me assaltaram porque corri. 

Mas uma vez eu digo: O que fiz não foi certo. Em outra situação, poderiam ter atirado em mim ou algo do tipo. Tive sorte, usavam armas brancas. Então, meus queridos, nunca tenham reações idiotas como a que tive. Preservem suas vidas. Mas isso foi mês passado. Esse mês, a história é outra. Eu não sei vocês, mas eu por aqui preciso de vez enquanto complementar minha renda e nos fins de semana, trabalho como monitora de festa infantil, aqui num salão da cidade. Nesse fim de semana, na volta desse trabalhinho super digno, eu liguei pro meu moto taxista amigo da família e como sempre ele foi me buscar. 

Saindo do meu local de trabalho, mal viramos a rua e apareceram dois caras. Dois caras, cada um em uma moto - um deles com uma arma de fogo - interceptaram a moto em que eu estava e anunciaram o assalto. Mantive a calma, não esbocei reações fortes, apenas desci da moto e entreguei minha bolsa e meu celular. Mas o cara armado, parecia possuído pelo demônio, deu várias coronhadas na cabeça do meu moto taxista - graças a Deus, ele estava de capacete, não tirou como eu tirei - até que ele (o moto taxista ) ainda sem acreditar no que estava acontecendo, entregou a carteira que o bandido tanto gritava que queria. 

Foi um horror! Cena de filme policial. E o mais ridículo de toda a curta cena que vivemos, foi ouvir o bandido gritar coisas do tipo: "Por que não parou quando eu mandei? Vagabundo!" Gente, olha a inversão de papeis. Alô sociedade, que mundo é esse? Você está vindo do seu trabalho, utilizando um meio de transporte, onde a pessoa está trabalhando e além de ser assaltada, ainda é chamada de vagabundo?? Oi? Quem era que estava sendo assaltado e ficando sem seus pertences, que trabalhou pra comprar? 

Meus caros, não quero fazer do meu blog, um espaço onde se discute temas pesados - até discuto essas coisas, porque sei da sua importância,  mas aqui não - mas eu sou a favor de que se reestruture todo o sistemas de carceragem no nosso pais e que a justiça cumpra seu papel. Quando você vive na pele a violência, você espera que seu algoz, tenha a punição merecida. No mais, isso aqui é apenas um desabafo e um glória a Deus, por estarmos bem fisicamente, porque os bens matérias que foram levados, nós recuperaremos dignamente trabalhando.



p.s: Me desculpem o post tão grande e não contei em casa o que aconteceu lá em Goiânia - em junho -, pra não preocupar minha família. Do segundo ato de violência, eles sabem tudo.



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2comentários

  1. Oi Joene, que pena vc ter passado por isso em Goiânia, minha cidade natal. É triste admitir, mas, como toda grande cidade a violência aqui também é um problema.
    Estive nesse Congresso da UNE, mas só acompanhei o encontro de domingo, no Goiânia Arena. Quanta gente! Impressionante!!!
    As lembranças ruins ainda devem estar fortes, mas espero que vc também tenha boas lembranças da minha terrinha boa.
    Bjoss
    http://dibobis.blogspot.com.br/

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    1. Carol, da cidade mesmo em si, não conheci nada. Fiquei muito envolvida com o congresso, por isso não sai do evento. Lamentei muito todas as violências que sofremos na cidade, mas sei como é: Cidade grande, grandes problemas. Mas aqui onde moro não tem ficado atrás quando o assunto é violência, tanto é que nesse fim de semana fui vítima.

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