SUPERAMOS AS EXPECTATIVAS

janeiro 24, 2017

casamento crônica texto

Outro dia vi uma postagem interessante em uma rede social. Um grupo de pessoas discutia quais eram as combinações de signos menos provável de se torna um casal. Dentre as opções lá estávamos nós, Vitor e eu. Não a gente de verdade, sabe? Mas os nossos signos eram as opções mais assinaladas como sendo um desastre, caso se unissem. E quanto mais eu lia, mas eu pensava: "Nem tudo é como se espera. Existem as exceções e nós estamos aqui para provar."  

Vitor, é um típico sagitariano, eu sou uma canceriana nata. E lá estávamos nós, Vitor com seu super otimismo, eu com meus dramas e desconfianças. Ele buscando aventuras, eu emocionalmente instável. Ele era visivelmente fogo, já eu, um balde de água fria na vida de qualquer um que se aproximasse - perdão, eu não estava num bom momento. Uma combinação improvável, era o que o universo dizia sobre nós. E para melhorar, ainda mais, as probabilidades de não darmos certo, a gente ainda começou com o pé esquerdo


Quando nos conhecemos achei ele um idiota. Entenda, nem todo amor começa com admiração, as vezes a admiração tem que ser conquistada. E foi mais ou menos assim com a gente. Vitor, fazia trocadilhos com o nome dos outros, sorrir o tempo todo, disse a alguém do nosso grupo como deveria ter agido em determinada circunstância. E eu com minha áurea sempre reservada, pensei: "Um cagador de regras". Bonito? Sim, Atraente? Sim. Mas ainda assim, um exibicionista. 


Depois nos reencontramos num bar, longe dos colegas do trabalho, daquela atmosfera de escritório, de cartão de ponto, de horário a cumprir. Ele me olhou como se estivesse me vendo nua. Retribuí o olhar. Estava disposta, o álcool me deixa soltinha e eu era a leveza em pessoa. Mas pensei: "Cafajeste!"


Quando surgiu a oportunidade, ele deixou os amigos e veio falar comigo. Chegou todo sagitariano. Falante, sorridente e bem humorado. Fui receptiva como todo bom canceriano. Superficial, desconfiada e meio distante. Mas não demorou muito já estávamos rindo junto, contanto histórias da época da faculdade. O álcool entrou, as minhas defesas caíram por terra. Não me julguem. Tenho minhas fraquezas, você não?


Mas foi aí que percebi a inteligência escondida atrás do humor sarcástico de Vitor e fiquei admirada com seu raciocínio rápido e sua imaginação perspicaz. É claro, que senti um pouco de vergonha alheia por conta das piadas, mas tudo bem. O fato dele aguentar meus dramas dava carta branca para ser um bon vivant


Dali em diante não perdemos mais o contato, arrumávamos desculpas para estarmos juntos. Mesmo que o "estarmos junto" significasse trocarmos uma infinidade de mensagens o dia todo, nos encontrarmos na cafeteira para pegar café, trocarmos um sorriso e voltarmos para nossas mesas, localizadas em lados opostos do escritório. Desenvolvemos um jeito só nosso de conversar, era só um de nós perguntar: "Tá fazendo o que aí?" e logo a conversa começava a fluir e fluía com muitos prints do que estávamos lendo, do que estávamos fazendo e áudios do que estávamos ouvindo. Passávamos o dia trocando mensagens e antes de dormir, ele me perguntava: "Como foi seu dia?" E eu contava como se não tivéssemos passado o dia no mesmo ambiente, e Vitor me ouvia pacientemente. Dizem os especialistas em relacionamento que o amor surge assim, quando você dá e recebe atenção. Não tenho como saber se isso é mesmo verdade, mas com a gente o item ATENÇÃO funcionou bem.      


Nossas conversas nunca esfriavam. O assunto nunca acabava. E devagarinho entrelaçamos nossas rotinas, criamos laços. Chegávamos ao escritório no mesmo horário, tomávamos café juntos, almoçávamos juntos, criamos playlists, com nossas músicas preferidas, para ouvirmos escondido durante as tarde em que o trabalho se tornava massante. Um pouquinho de ousadia nesse nosso amor, porque amor que quebra regras, dura mais. Poético não é? Também achamos.

Aos poucos a gente criou uma história só nossa, com a nossa cara. Passamos a ser o ponto de equilíbrio um do outro. Passamos a nos completar. Mas sem essa de metade da laranja ou tampa da panela. Nunca fomos um casal clichê. Embora tenhamos os nossos clichês para chamarmos de nosso. Desenvolvemos uma identidade própria. Surgiram as piadinhas internas, os sorrisos de cumplicidade e os olhares que diziam ao outro, o que estávamos pensando. Nos tornamos um casal antes mesmo de sermos um casal. E estávamos tão distraídos prestando atenção um no outro que nem notamos. Fomos aos poucos sendo comunicados do nosso amor, da nossa condição e então a ficha começou a cair. Vitor e Helena, Helena e Vitor, um casal. Será? Sim. Éramos e ainda somos. 


E se você quer saber, nunca nem consideramos o que dizia as previsões astrológicas sobre os nossos signos. O que nos importava era estarmos juntos, a companhia que fazíamos um pro outro e o amor que nasceu entre a gente, foi só consequência. 
Amor requer disposição e isso a gente tem de sobra.     

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4comentários

  1. Que legal saber da história de vocês. As pessoas vivem achando que para da certo com alguém tem que combinar de alguma forma, mas ser diferente é o que torna o amor mais divertido. Beijinhos.

    www.brendacaroline.com.br

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    1. Brenda, que bom que gostou da nossa história. Somos muito gratos ao universo por ter nos unido e felizes por estarmos dispostos a viver o nosso amor. Concordo com você, infelizmente as pessoas acreditam que para viver um amor o parceiro tem que ser igual para combinarem. Pena, perdem grandes oportunidades na vida.
      Beijos e obrigada.

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  2. Eu to A-P-A-I-X-O-N-A-D-A pelo seu texto Antonia! Que maravilhoso *o*
    ah cara, eu sempre digo isso... que atenção e respeito sã fundamentais na construção de qlqr sentimento! Meus últimos problemas amorosos tem sempre relação com a atenção. A se doar demais e receber de menos. Uma bosta. Enfim, a vida continua, quem sabe um dia encontre a minha atenção por aí... =) Lindo texto. Parabéns. Bjs www.ingridlogatto.com

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    1. Ingrid, agradeço os elogios fico feliz que tenha gostado do meu texto, porque ele é um caso real, meu caso real. Sou gratas todos os dias, por ter recebido esse presente da vida. Amor aqui não me falta e todos os dias se renova, porque continuo a receber atenção e a dar atenção também. Me conselho pra você é: Fique tranquila que logo, logo a vida te dará de presente um amor atencioso.

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